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A Y Combinator diz que não cobra taxas sobre os US$ 500.000 que aplica em cada empresa aceita. Um fundo de venture capital, ao contrário, cobra de seus próprios investidores: um fundo de US$ 1 bilhão que cobra 2% ao ano gera US$ 20 milhões em receita de taxas, independentemente do desempenho, observa a National Venture Capital Association (NVCA) em seu Yearbook 2026. A lista abaixo, dos investidores-anjo aos bancos, mostra para cada participante de quem é o dinheiro, como se dá a remuneração e se quem empreende pode captar recursos ali; nada aqui diz com quem captar ou em quem investir.
Dinheiro próprio: investidores-anjo, aceleradoras e family offices
O glossário da NVCA define investidor-anjo como “uma pessoa física rica que investe em empresas em estágios relativamente iniciais de desenvolvimento”; grupos de anjos investem em conjunto, “individualmente ou por meio de um veículo coletivo”, e compartilham oportunidades de negócio. Nos EUA, só investidores credenciados (accredited investors) podem participar de certas ofertas de valores mobiliários. O Investor.gov, da SEC, lista os principais critérios para pessoas físicas: renda acima de US$ 200.000 (US$ 300.000 com cônjuge ou equivalente) em cada um dos dois anos anteriores, com expectativa razoável de renda igual neste ano, patrimônio líquido acima de US$ 1 milhão sem contar a residência principal, ou licença Series 7, 65 ou 82. As empresas nessas ofertas isentas não precisam fazer as divulgações prescritas, e o regulador alerta que “você pode perder todo o seu investimento”.
As aceleradoras somam um programa ao cheque. O acordo padrão da Y Combinator, consultado em 23 de outubro de 2026, é de US$ 500.000 para cada empresa aceita: US$ 125.000 se convertem em uma participação fixa de 7%, e US$ 375.000 entram por meio de um SAFE MFN (com cláusula de nação mais favorecida) sem teto de valuation, cuja participação é definida na rodada seguinte. No exemplo da própria YC, um teto pós-money de US$ 15 milhões transforma esse SAFE em 2,5%. A YC também fica com direito de participação proporcional (pro rata) em rodadas posteriores e diz que não cobra taxas, mas observa que algumas aceleradoras cobram e que “as equipes fundadoras devem descontar essas taxas do investimento”. As incubadoras, na definição da NVCA, abrigam startups e as ajudam a controlar custos por meio de “redes de contatos e recursos compartilhados de back-office”.
Um family office investe a riqueza de uma única família. As regras dos EUA excluem a entidade da definição de consultor de investimentos (investment adviser) se ela “não tem clientes além de clientes familiares”, pertence integralmente a clientes familiares, é controlada exclusivamente por membros da família ou entidades familiares e “não se apresenta ao público como consultor de investimentos”. Ao adotar a regra, em junho de 2011, a SEC disse que a exclusão “não se estende a family offices que atendem várias famílias” (Release IA-3220). A definição da Invest Europe é mais ampla: uma entidade que atende “uma ou mais famílias abastadas”. A NVCA atribui aos family offices “decisões mais rápidas, cheques menores, horizontes de tempo mais longos que a vida de dez anos de um fundo” e a opção entre compromissos com fundos e coinvestimentos diretos.
Dinheiro de terceiros: fundos de venture capital, growth e buyout
- Compromisso
Os limited partners (LPs), “os investidores institucionais e individuais que fornecem o capital”, assumem compromissos com um fundo administrado pelo general partner (GP), a própria gestora de venture capital. Os LPs “não têm papel nas decisões do dia a dia”, diz a NVCA.
- Chamadas de capital
O dinheiro é sacado dos LPs “à medida que os investimentos são feitos”, por meio de chamadas de capital, segundo o Yearbook 2022 da NVCA.
- Reservas
Em geral, um primeiro investimento em uma empresa leva o fundo a reservar três ou quatro vezes esse valor para aportes subsequentes (NVCA, 2022).
- Saída
“O retorno potencial só vem depois que a empresa é adquirida ou abre o capital” (NVCA, 2022).
- Distribuição
Em geral, o fundo precisa devolver aos LPs o capital mais qualquer taxa preferencial de retorno antes que o GP participe dos lucros; depois, o GP costuma receber 20% de carried interest, a participação nos lucros (glossário da NVCA).
- Encerramento
O fundo tem prazo fixo, em geral de dez anos, com prorrogações opcionais de um a dois anos (NVCA, 2026).
A NVCA chama esse modelo “2 e 20” de padrão, embora os fundos de melhor desempenho negociem cada vez mais carry de 25% a 30% e algumas gestoras estreantes ofereçam taxas reduzidas para atrair seus primeiros LPs. No private equity como um todo, o glossário situa as taxas de administração entre 0,75% e 3% do capital sob gestão, conforme o tipo e o tamanho do fundo. Os investidores definem as próprias expectativas: os Principles 3.0 da Institutional Limited Partners Association (ILPA) dizem que o GP deve ter “uma participação acionária substancial no fundo”, aportada em dinheiro, e não por meio de renúncia a taxas de administração.
As definições da Invest Europe classificam as empresas pela maturidade, não pelo tamanho do cheque. O capital semente (seed) vem antes do início da produção ou distribuição em massa; o capital de start-up, quando o produto já está totalmente desenvolvido; o venture de estágio avançado (later stage) tende a envolver financiamento a empresas já apoiadas por VCs, “geralmente em rodadas C ou D”. O growth equity é “muitas vezes um investimento minoritário” em empresas relativamente maduras. Um buyout é um financiamento para adquirir uma empresa, que “pode usar um volume significativo de capital emprestado” e em geral compra participações majoritárias ou de controle. A maioria dos fundos de private equity dura cerca de 10 a 12 anos. As empresas do portfólio também podem pagar à gestora de private equity pela administração e pelo monitoramento, observa o Investor.gov, entre os conflitos que as gestoras precisam divulgar.
Os donos por trás dos fundos
O Yearbook 2022 da NVCA dá exemplos de LPs: “fundos de pensão públicos, fundos de pensão corporativos, seguradoras, pessoas físicas de alto patrimônio, family offices, fundos patrimoniais, fundações, fundos de fundos, fundos soberanos”. Os fundos de pensão, que administram recursos de aposentadoria do magistério, do corpo de bombeiros, do funcionalismo estadual e de quem trabalha em empresas, estão “entre os maiores alocadores”, acrescenta a edição de 2026. Quem poupa pode ter private equity indiretamente “se você participa de um plano de previdência ou tem uma apólice de seguro”, segundo o Investor.gov.
Os fundos soberanos são “de propriedade do governo geral”, segundo os Princípios de Santiago, de outubro de 2008, que deixam de fora os ativos de reservas em moeda estrangeira mantidos por autoridades monetárias para os fins tradicionais de balanço de pagamentos ou de política monetária, e os fundos de pensão do funcionalismo público. Um fundo de fundos, diz a Invest Europe, “assume principalmente posições de capital em outros fundos”. Em 2025, investidores não tradicionais, como hedge funds, fundos soberanos, fundos patrimoniais sem fins lucrativos e investidores estratégicos corporativos, participaram de cerca de 30% dos negócios de venture capital nos EUA, e esses negócios responderam por 83% de todo o investimento, segundo o Yearbook 2026 da NVCA.
Capital de trading: hedge funds e mesas proprietárias
Um hedge fund é “um fundo de investimento privado e não registrado” aberto a investidores credenciados ou compradores qualificados (qualified purchasers), e os hedge funds “não são oferecidos a investidores de varejo”, diz o guia do Investor.gov. Os investidores normalmente pagam uma taxa de administração de 1% a 2% do valor patrimonial líquido mais uma taxa de performance de 15% a 20% dos lucros, sujeita a mecanismos como o high-water mark (marca histórica da cota) e a taxa mínima de retorno (hurdle rate). Os resgates costumam ser limitados a “quatro vezes por ano ou menos”, muitas vezes após um período de carência (lock-up) de um ano ou mais.
Uma empresa de trading proprietário opera com o próprio dinheiro. A legislação da UE chama isso de negociação por conta própria, que a MiFID II define como “negociação com capital próprio que resulta na conclusão de operações com um ou mais instrumentos financeiros”. A Financial Conduct Authority (FCA), do Reino Unido, diz em suas orientações que a atividade inclui “trading proprietário e posições decorrentes de formação de mercado” e dificilmente é relevante “para a maior parte das atividades de venture capital ou private equity”.
Credores e estruturadores: bancos, venture debt, coordenadores de ofertas e crowdfunding
Na UE, comprar créditos a receber conta como concessão de crédito para fins do artigo 4(1)(1) do Regulamento de Requisitos de Capital (CRR), e uma pessoa que faça isso e também receba do público depósitos ou outros fundos reembolsáveis “é uma instituição de crédito nos termos desse ponto e, portanto, deve ser obrigada a obter autorização antes de iniciar suas atividades”, segundo uma resposta elaborada pela Comissão Europeia e publicada em 3 de março de 2023 na ferramenta de perguntas e respostas da Autoridade Bancária Europeia (EBA). Os bancos recebem juros sobre empréstimos e títulos e pagam juros a depositantes e outros credores; o FDIC mede essa diferença como margem financeira líquida, e seu índice de eficiência compara os custos com a “receita líquida de juros mais receitas não provenientes de juros”.
Venture debt é “um empréstimo a uma empresa em estágio inicial que fornece liquidez ao negócio no período entre rodadas de captação de capital”, explica o Banco Europeu de Investimento (BEI). Esses empréstimos costumam ser pagos em até 18 meses, ou às vezes em dois a três anos, e os financiadores privados na maioria das vezes esperam o pagamento a partir da rodada seguinte. O BEI estimou em maio de 2022 que o venture debt representava cerca de 3% do valor anual das transações de venture capital na Europa, ante cerca de 15% nos EUA, segundo estudos que citou. A venda de ações e de títulos de dívida envolve os coordenadores de ofertas (underwriters): a MiFID II lista a “tomada firme de instrumentos financeiros e/ou colocação de instrumentos financeiros com garantia” como uma atividade de investimento por si só (Anexo I).
O crowdfunding tem seu próprio teto na UE. O Regulamento (UE) 2020/1503, relativo ao financiamento colaborativo, conforme adotado em 7 de outubro de 2020, não se aplica a “ofertas de financiamento colaborativo com uma contrapartida superior a € 5.000.000, calculada ao longo de um período de 12 meses”. Em perguntas e respostas de 12 de fevereiro de 2025, a ESMA disse que o total inclui as ofertas de valores mobiliários e os empréstimos de um titular de projeto em plataformas de crowdfunding, além de suas outras “pequenas ofertas” isentas de prospecto.
| Participante | De quem é o dinheiro | Remuneração | Quem empreende pode captar ali? |
|---|---|---|---|
| Investidor-anjo ou grupo de anjos | Dinheiro próprio dos membros | Participação acionária na empresa | Sim, em estágios relativamente iniciais |
| Aceleradora (acordo da YC) | Investimento da aceleradora | Participação: 7% mais a fatia do SAFE MFN; sem taxas na YC | Sim, se a empresa for aceita |
| Fundo de venture capital | Dinheiro dos LPs mais o compromisso do GP | Taxa de administração e carried interest | Sim, do seed aos estágios avançados |
| Investidor corporativo ou estratégico | Dinheiro próprio da corporação | Acesso à tecnologia, ao produto ou ao serviço da empresa investida | Sim, com um interesse estratégico envolvido |
| Fundo de growth equity | Dinheiro dos LPs | Taxas e carry | Sim, para empresas relativamente maduras |
| Fundo de buyout | Dinheiro dos LPs; pode usar volume significativo de capital emprestado | Taxas e carry; as empresas do portfólio podem pagar taxas de monitoramento | Buyouts ficam com participações majoritárias ou de controle |
| Family office de uma só família | Riqueza própria de uma família | Retorno sobre essa riqueza | Possível, via compromissos com fundos ou coinvestimentos diretos |
| Hedge fund | Investidores credenciados, compradores qualificados e instituições | Em geral 1% a 2% do NAV mais 15% a 20% dos lucros | Às vezes: a NVCA inclui hedge funds entre os investidores não tradicionais em VC |
| Empresa de trading proprietário | Capital próprio | Ganhos de trading, inclusive com formação de mercado | Sua atividade é a negociação por conta própria |
| Fundo de pensão, fundo patrimonial ou fundo soberano | Dinheiro de quem poupa, de instituições ou do Estado | Retorno dos investimentos | Pelos fundos que apoiam como LPs, e diretamente (ver nota) |
| Banco ou credor de venture debt | Bancos: depósitos e outros fundos reembolsáveis do público; credores de venture debt: fundos ou bancos (BEI) | Margem de juros mais receitas não provenientes de juros | Dívida, a ser paga |
| Plataforma de crowdfunding na UE | Investidores que usam a plataforma | Não coberto pelas fontes citadas | Sim, até € 5 milhões em 12 meses |
Fonte: NVCA 2026 and 2022 Yearbooks; Invest Europe (September 2025); Y Combinator; Investor.gov; eCFR; MiFID II; FDIC; EIB; Regulation (EU) 2020/1503, Datas das fontes; termos da YC em 23 de outubro de 2026. Resumo das fontes citadas no texto. Valores de taxas e de tamanho aparecem só onde uma fonte os informa; os termos variam por gestora e por fundo. Linha de fundo de pensão, fundo patrimonial ou fundo soberano: a NVCA inclui fundos soberanos e fundos patrimoniais sem fins lucrativos entre os investidores não tradicionais em negócios de VC.
- National Venture Capital Association, NVCA 2026 Yearbook (data by PitchBook), released 13 April 2026, 13 de abr. de 2026, 02:00 CEST
- Invest Europe, Publications Methodology & Definitions (September 2025), 12 de set. de 2025, 02:00 CEST
- Y Combinator, YC's Standard Deal (undated; viewed 23 October 2026)
- Investor.gov (SEC Office of Investor Education and Advocacy), Hedge Funds
- eCFR, 17 CFR 275.202(a)(11)(G)-1, Family offices